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EcoResort - Zêzere

Aldeamento Turístico na Aderneira.

Albufeira de Castelo do Bode, Ferreira do Zêzere.

O empreendimento com 211.572,00m2 de área total, sendo apenas 93.410,00m2 de área disponível para a intervenção, devido a limitação do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode.

O empreendimento terá um total de 67 lotes e inclui um hotel de 10 quartos, uma "Freestyle Academy" (Centro de Desporto) com 10 quartos e 63 lotes de moradias, num total de 152 Unidades de Alojamento turístico, acrescido de 63 moradias que apresentam diferentes tipologias (T1 a T4). O empreendimento contará ainda com um Centro Social, perto do embarcadouro, com a função adicional de posto de carregamento elétrico para barcos.

O loteamento já se encontra definido em concordância com os instrumentos de gestão territorial, conforme refere a memória descritiva e justificativa do loteamento. A intervenção em termos morfológicos apresenta grandes variações altimétricas, dividido por uma cumeada de orientação N/S, criando uma encosta fresca para E/SE e uma encosta quente de orientação W/SW.

A paisagem atualmente apresenta grande manto verde de eucaliptos, que termina na intercessão de dois dos mais importantes rios (Tejo e Zêzere) em termos de recursos hídricos. A imagem que se pode ver é a de um grande “manto azul” que ladeia aquele território, de relevo acentuado, composto por montanhas de xisto amarelo e pinheiros.

As condicionantes programáticas, o respeito pela paisagem e a envolvente nos seus aspetos naturais, permitem uma abordagem interventiva de contenção do edificado. Ao defendermos a preservação da paisagem existente, logo numa fase inicial (conceito), surge logo três exemplos que destacamos: Os trabalhos de Chillida, tal como diria Marcel Proust

...” a escultura de Chillida em disposição para as funções enaltece o espírito ”...

Numa leitura conceptual materializada, referimos o exemplo das Termas de Vals, Suiça, 1996 do arquitecto Peter Zumthor.

...” o som do espaço. Oiçam! Cada espaço funciona como um instrumento grande. Colecciona, amplia e transmite os sons. Isso tem a ver com a sua forma, com a superfície dos materiais e com a maneira como estes estão fixos. Um exemplo: imaginem um pavimento de madeira de pinheiro maravilhoso como um estojo de violino, colocado sobre madeira na sua sala. Ou uma imagem: estão a coloca-lo à placa de betão! Sentem a diferença no som? Sim. Infelizmente, muitas pessoas hoje em dia já não reparam no som do espaço ”... (Peter Zumthor) in, Atmosferas de Peter Zumthor, pags. 28 e 29.

Num contexto diferente, mas com uma extrema delicadeza interventiva e de composição, referimos a Casa de Chá em Matosinhos do arquitecto Álvaro Siza.

...“ muitas vezes construir num local muito belo equivale a destruí-lo. ”...

Na explicação daquele projeto, o autor, fala na extrema atenção ao equilíbrio existente e tangível, entre a natureza, uma capela e um pouco mais longe, um farol. O edificado não se podia sobrepor às rochas e à capela. O objeto principal consistia, portanto, em deixar prevalecer a capela.

...” o projecto acompanha o perfil das rochas de forma continuada, agarrando-se a elas como se fosse uma âncora. ”...

Em analogia a nossa proposta apresenta objetivos idênticos sendo importante para nós que o edificado se ancorasse a massa do território, sem o “destruir”, proporcionando uma leitura continua a semelhança do território natural. O construído proposto no seu aspeto formal, é ancorado por vezes “escondido” no território. Mantém-se, assim, a “imagem-memória” do sítio, quer pelo aspeto formal e material, este último remete-nos para uma preocupação de sustentabilidade dos próprios edifícios, propondo materiais, como a madeira, a cortiça, a pedra e a terra, materiais esses “in situ”.

O desenho proposto apresenta uma continuidade entre o edificado e a envolvente, articulado de proporções, composições, texturas e cores, que permitem a integração do conjunto, sem que exista uma rotura entre o construído e a paisagem natural.